terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gargalos crônicos de infraestrutura

Por Jornal do Brasil

Deficiências como número reduzido de berços de atracação e falta de dragagem acabam se refletindo em custos maiores.
Com os preços do açúcar em alta, exportadores correram para produzir e embarcar a mercadoria para o exterior em junho e julho, mas enfrentaram um problema que tem se revelado crônico no país: congestionamentos na hora do embarque, o que levou o tempo de espera no porto, normalmente de 12 dias, a dobrar, em alguns casos. Mais de 90% dos produtos que entram e saem do país passam pelos terminais portuários que, nos últimos anos, registraram acentuado crescimento na movimentação de volume e de valor. Em 2009, a corrente de comercio do Brasil com o exterior chegou a US$ 280 bilhões e devera superar US$ 300 bilhões neste ano.


O vigor não irá parar por ai. Nesta década, mineradoras deverão aumentar em mais de 100 milhões de toneladas anuais suas exportações, siderúrgicas estão instalando novas plantas, fabricantes de papel e celulose investem diante da crescente demanda chinesa, empresas agrícolas ampliam sua produção para o exterior e a indústria de petróleo e gás poderá posicionar o Brasil entre os maiores exportadores de óleo do mundo. Os desafios da infraestrutura portuária para atender à demanda serão tão grandes quanto as encomendas bilionárias da indústria naval.
"Os portos são um gargalo para a economia brasileira e podem ser um obstáculo para a indústria naval, que, depois de anos paralisada, retoma sua atividade", diz o pesquisador Julio Vicente Rinaldi Favarin, do Centra de Estudos em Gestão Naval da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). "Para os portos não serem um entrave a economia, são fundamentais investimentos na infraestrutura portuária, melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários, profissionalização da gestão e redução da burocracia", diz o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.
Se de um lado as deficiências da infraestrutura portuária elevam custos e dificultam o dia a dia do transporte marítimo, de outro contribuem para inibir o potencial do setor naval. O país possui mais de 40 mil quilômetros de vias interiores navegáveis e 8 mil quilômetros de costa, mas só 14% do transporte interno de cargas e feito por hidrovias, com 60% da circulação de mercadorias sendo por rodovias. A navegação de cabotagem (transporte entre portos de um mesmo país), que poderia ser outro vetor de demanda da indústria naval, avança lentamente. A Hidrovia Tietê-Paraná, por exemplo, opera com 20% de sua capacidade.
No setor marítimo, os problemas sao muitos, afirma Peter Wanke, professor do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sócio do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). "A falta de melhor dialogo e integração entre porto, ferrovia, rodovia e hidrovia desincentiva a cabotagem. Em paralelo, em muitos portos, falta ainda infraestrutura física, como berços de atracação, o que contribui para a formação de filas de navios. O porto de Vitoria opera quase sem folga, enquanto, por conta da falta de infraestrutura, 40% das cargas que iriam para o porto de Salvador vão para outros Estados", afirma Wanke. A falta de dragagem e de aprofundamento de alguns portos impede que navios maiores atraquem ou que, quando eles aportem, não estejam totalmente carregados.
"O Brasil precisaria estruturar melhor sua matriz completa de transportes, com maiores investimentos em portos e ferrovias. Só assim conseguira reduzir custos", afirma Wanke. Pesquisa do Ilos mostra que os custos logísticos no Brasil estão em 11,5% do PIB, acima dos 8,5% nos Estados Unidos.
Maior porto da America Latina e do Brasil, por onde circula um quarto do comercio exterior brasileira, Santos tem batido recordes históricos neste inicio de ano de movimentação de cargas. Com cerca de 80% dos bens sendo transportados por acessos rodoviários, em dias de grande movimentação, caminhoneiros chegam a esperar mais de 30 horas para desembarcar suas cargas. As filas não ocorrem apenas em terra.

Em Santos, maior porto do Brasil, filas constantes para embarcar mercadorias

A burocracia e outro problema verificado nos portos públicos, cuja administração esta nas mãos do governo. "E fundamental que haja uma agenda executiva que de continuidade as políticas e que seja atrelada ao Estado e não a governos. Precisaria haver profissionalização na administração, para que ela seja baseada em critérios de eficiência e mérito", diz Manteli.
Há outros obstáculos como a dificuldade de obtenção de licenças ambientais e a atuação do Tribunal de Contas da União. "Muitas vezes, vemos que a boa vontade do governo para em outras esferas, então muitos empreendimentos começam a andar e param. Isso é um serio entrave", afirma. Um exemplo e o porto de Rio Grande, cujas obras previstas para três anos já duram dez.

Os investimentos devem ampliar e melhorar os serviços portuários. Uma das intenções do governo e incentivar a navegação de cabotagem. Trabalha-se com a meta de que, em 15 anos, o transporte aquaviário dobre sua participação na matriz de transportes e representa 29% das cargas transportadas. A Secretaria Especial de Portos (SEP) vem trabalhando na implantação do Projeto de incentivo a Cabotagem (PIC). Atualmente, o país possui 34 portos públicos marítimos. Desses, 21 têm condições de trabalhar com cabotagem, mas poucos ainda o fazem.
Funcionários da SEP têm visitado o pais e procuram reforçar as vantagens da cabotagem. Em media, o custo do frete na cabotagem e 10% menor que o custo do frete rodoviário, principalmente pela capacidade de movimentar grande volume de cargas. Pela cabotagem há um menor custo de combustível - com cinco litros de combustível se leva uma tonelada de carga transportada, o navio consegue percorrer 500 quilômetros, enquanto o caminhão percorre 100 quilômetros.
Recentemente, a Transpetro anunciou que ira investir na contratação de comboios para realizar o transporte de etanol na Hidrovia Tietê-Paraná, o que pode reforçar a importância do modal como opção de transporte e fazer outras empresas despertarem para o segmento.
Com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi criado, em 2007, o Piano Nacional de Dragagem, que prevê a aplicação de mais de R$ 1,5 bilhão em recursos para dragagem de 18 portos públicos. O maior aprofundamento dos portos permitirá que recebam navios maiores, o que melhora a competitividade do importador e do exportador. A realização da Copa de 2014 também fará com que cresça a movimentação de navios transatlânticos na costa brasileira, exigindo investimentos de R$ 740 milhões em terminais de sete portos para receber os turistas.


FOnte: www.intelog.net

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OS BONS TCC"S DE LOGÍSTICA DEVEM SER DISPONIBILIZADOS A TODOS

Por:

Mauro Roberto Schlüter
IPELOG

mauro@ipelog.com

Durante a minha atividade como professor e orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC´s), tive a oportunidade de orientar uma série de TCC´s simplesmente brilhantes na área de logística.
Eram trabalhos de conclusão de cursos de graduação em Administração e de Pós-Graduação em Logística Empresarial.
Verdadeiras pérolas. Para quem atua como professor orientador ou então aqueles que já tenham passado pelo árduo caminho que é elaborar um TCC, sabem que este tipo de trabalho pode render ganhos de competitividade para a empresa que é objeto de estudo, além de valorização pessoal.
O objetivo de um TCC é proporcionar algum tipo de melhoria em um ambiente compreendido pelas ciências empresariais, utilizando para tanto a base de conhecimento construída ao longo do curso de graduação ou Pós-Graduação, aliado ao rigor do meio acadêmico.
Por ser um professor especializado em logística empresarial, sou procurado por alunos para a realização de orientação ou co-orientação de trabalhos na área e muitas vezes me deparo com algo muito especial.
Na verdade trata-se de alunos especiais, que por óbvio preparam trabalhos especiais, muitos deles poderiam se tornar livros para referencial didático de tão bons que são.
Muitos desses alunos hoje ocupam posições nobres no mercado de trabalho, como justa e merecida recompensa pela sua sabedoria e capacidade de aplicar na prática aquilo que levaram anos estudando.
Embora os meus registros de TCC´s que orientei tenham se perdido, fruto de acidente com o meu notebook, lembro de alguns que renderam excelentes resultados. Dentre os meus alunos que considero especiais e seus respectivos trabalhos constam:

Mário Giordani: Elaborou um método, aliás um verdadeiro manual, de como construir um supply chain. Além disso implementou e mediu os resultados, chegando a valores passíveis de admiração.
Marcelo Viñas Repetto: Comparou o uso de diversos modais para transporte de produtos e concluindo que cada produto, dado uma origem e um destino, possui um modal de competência.
Wagner Strevinski: Fez uma análise crítica de Milk-run versus coleta em lotes maiores, concluindo com a quebra de paradigmas em relação a eficiência do Milk-run em certos cenários, onde até então era aplicado.
Cinéia dos Santos: Realizou uma análise crítica de integração da cadeia de carne bovina, chegando a conclusão de que a integração propalada não refletia a realidade praticada no setor.
Paulo Fração: Analisou os picos de carregamentos relacionados com as metas das empresas em finais de meses, concluindo pela necessidade de elaborar tabelas de fretes diferenciadas para certos períodos do mês.

Infelizmente não me vem a memória todos os trabalhos que guardei em meus arquivos e que considerei como verdadeiras pérolas. Apenas fico um tanto decepcionado em ver que muitos desses trabalhos acabam encostados em bibliotecas para consultas apenas dos alunos que a freqüentam, quando na verdade deveriam estar disponíveis para todos os profissionais, professores (sejam eles orientadores ou não), além de estudantes de todos os níveis da comunidade de logística do país.

Fonte: www.ipelog.com e www.intelog.net

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A infraestrutura precária ameaça o transporte aéreo

Por O Estado de São Paulo - SP

A demanda de transporte aéreo no País cresceu 23,48% entre os meses de abril de 2009 e 2010, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Embora a base de comparação seja baixa, é um ritmo que pode ser comemorado, mas que evidenciou ainda mais a falta de investimentos na infraestrutura aérea.

O problema não é das companhias de aviação, que recuperaram a lucratividade apesar da crise mundial, graças à adoção de medidas internas de reorganização.

O serviço de transporte aéreo mudou muito nos últimos anos e as mudanças no modelo de gestão das empresas aéreas - cortando serviços e cobrando por tudo -, se deixou insatisfeitos muitos passageiros, têm contribuído para o equilíbrio financeiro das transportadoras.

No mercado brasileiro, além disso, há mais concorrência: as duas companhias dominantes - TAM e Gol - têm de disputar os clientes com as empresas menores, cujo peso chegou a 17% do mercado no mês passado, segundo a Anac.

A Webjet é a terceira maior, com 5,89% de participação no mercado doméstico, seguida pela Azul (5,56%), a Avianca (ex-Ocean Air, com 2,45%) e a Trip (2,29%).

Os passageiros sofrem com a falta de investimentos da Infraero e a incapacidade dos principais aeroportos de atender ao crescimento da demanda - problemas admitidos pela Anac. "Desde o ano passado, o crescimento já saiu de São Paulo e está centrado no resto do País, porque Congonhas e Guarulhos estão com limitações no número de voos", declarou a presidente da agência, Solange Vieira.

O Aeroporto de Guarulhos já atende 22 milhões de passageiros/ano, 10% acima da capacidade nominal.

As limitações de voos, para reduzir atrasos e a superlotação dos saguões, são condenadas pelo especialista Paulo Sampaio. "Em vez de falar em investimento, fala-se em restrições", disse ao Estado. "Nenhum setor do governo está tratando o assunto com seriedade. Dessa forma, o problema não está sendo resolvido, mas transferido para outros aeroportos."

Sem os investimentos previstos na infraestrutura, haverá comprometimento das obras que teriam de estar prontas até a Copa do Mundo de 2014.

Para ampliar a capacidade dos Aeroportos de Guarulhos, Galeão, Confins e Salgado Filho, dos 47,5 milhões de passageiros/ano atuais para 59,1 milhões, em 2013, será preciso investir R$ 3,2 bilhões com eficiência e rapidez.

Mas até agora a Infraero deu prioridade à transformação dos aeroportos em shopping centers.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Falta de infraestrutura preocupa

Por Transporta Brasil - Editorial
O cenário atual do transporte de cargas no Brasil passa pelo otimismo do mercado com o reaquecimento da economia depois de longos meses de temor devido à crise internacional. A demanda por transporte cresceu em todos os modais, mas alguns problemas orgânicos ainda preocupam.


O cenário atual do transporte de cargas no Brasil passa pelo otimismo do mercado com o reaquecimento da economia depois de longos meses de temor devido à crise internacional. A demanda por transporte cresceu em todos os modais, mas alguns problemas orgânicos ainda preocupam.

O Portal Transporta Brasil realizou uma pesquisa com seus leitores para saber quais são as principais mazelas que atrapalham a cadeia de suprimentos e, principalmente, o transporte de cargas. Segundo o levantamento do Portal a falta de infraestrutura viária e portuária é o maior gargalo enfrentado pelo setor.

Este problema foi apontado por 29% dos participantes da pesquisa, num total de 1629 leitores. Mesmo com as obras do PAC e as recentes inaugurações de estruturas viárias em São Paulo, como a ampliação da Marginal do Tietê e o Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, a falta de estradas ainda é uma grande preocupação de todos os que atuam na cadeia do transporte de cargas.

Em segundo lugar, a questão dos pedágios também é um assunto que preocupa. O alto custo para trafegar nas rodovias concedidas Brasil afora foi apontado como o maior problema do setor por 13% dos leitores.

A concorrência desleal e o roubo de cargas ficaram empatados em terceiro lugar na opinião dos leitores com 10,7% das respostas. Em quarto, a carga tributária e o pesado ônus dos impostos foram apontados por 10,6% dos participantes do levantamento.

Todos estes problemas são questões antigas do setor e dependem de vontade política e atuação séria por parte das autoridades públicas. O transporte de cargas no Brasil não pode mais esperar por medidas que solucionem estes que são os maiores exemplos do descaso com o setor.

O Portal Transporta Brasil agradece os leitores que participaram da enquete e reafirma o seu compromisso dar espaço jornalístico e estar sempre atento às necessidades do transporte e da logística.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Governo cria fundo garantidor de infraestrutura e estatal de seguros

Por Leonardo Hoff dos Santos
Observa-se que cada vez se torna mais necessário às organizações criar produtos e serviços nos quais o consumidor perceba valor agregado, seja na forma de maior qualidade, diferenciação ou outras que visem atender plenamente suas expectativas.

As decisões estratégicas - Hoje em dia, o "pensamento estratégico" está diretamente relacionado com as "idéias e objetivos" da empresa, centrado-se em dois tipos principais de decisões: a decisão de portfólio e a decisão de posicionamento.

A decisão de portfólio deve estar direcionada para os produtos e serviços que a empresa colocará no mercado. Assim, na definição de seu mix, elegerá quais serão seus negócios, produtos e serviços, o que deverá ser avaliado em função de sua produtividade, competitividade e rentabilidade.

Também complementamos registrando o caráter dinâmico relacionado ao conceito de decisão de portfólio, que pode orientar-se por três aspectos: o de permanência, o de incorporação (ou inclusão) e o de eliminação.

Já a decisão de posicionamento trata das formas pelas quais se pode diferenciar dos concorrentes. Deve-se analisar criteriosamente todas as oportunidades (e ameaças!) em relação à infinidade de possíveis segmentações de mercado.

Além disto, deve-se ter também a preocupação com a "imagem" que os consumidores fazem da empresa e de seus produtos. E ao se trabalhar esta questão, a empresa pode enfocar o design, a identidade, os símbolos, as mídias escritas e audiovisuais, as atmosferas e eventos específicos, entre outras formas de comunicação.

Também devemos perceber que posicionamento não é o que podemos fazer com o produto, e sim o que se consegue "formar" na mente do comprador em potencial.

A comunicação e a diferenciação competitiva - Com a crescente oferta de novos produtos e serviços, com preços cada vez mais competitivos, e com serviços agregados cada vez mais diferenciados e alinhados às necessidades dos consumidores, as empresas necessitam, ainda mais, saber comunicar-se com os clientes.

O consumidor atual vive cercado por um excesso de informações e mensagens que são despejadas diariamente sobre suas mentes, sobretudo em forma de anúncios - um sinal claro da "briga" por cada cliente de valor.

Independente da mídia utilizada (impressas, virtuais, televisivas ou de audição), os consumidores acabam por ignorar a grande maioria dessas mensagens, e, por isto, as empresas precisam saber elaborar sua comunicação de maneira a causar um impacto positivo.

E o principal desafio ao processo de comunicar e promover (novos) produtos e serviços é, exatamente, despertar o interesse do consumidor e valorizar as vantagens frente às demais "opções" ofertadas pela concorrência, sobretudo com o objetivo de motivá-lo a conhecer/considerar, experimentar/consumir e comprar os produtos e serviços em questão.

Segundo Kotler, diferenciação é o ato de desenvolver um conjunto de diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa sobre as ofertas de seus concorrentes. Uma empresa deve tentar identificar maneiras específicas e originais de forma a diferenciar seus produtos e obter vantagens competitivas, inclusive em seus processos de comunicação.

Para assegurar o sucesso de um novo produto/lançamento, a criação de alternativas inovadoras e originais para comunicar-se com o consumidor deve acompanhar o próprio processo de desenvolvimento do produto, conforme defendem Churchill e Peter.

Os profissionais de marketing das empresas precisam buscar uma comunicação que transpasse a desordem criada por todas as outras mensagens, e de maneira que seu público-alvo dedique sua atenção a ela e sinta-se atraído pelo conteúdo de sua mensagem.

Como o consumidor dirige sua atenção somente às mensagens de seu interesse, é mais provável que as mensagens sejam consideradas quando forem distintivas e relevantes para a sua audiência.

E é por esta razão que as empresas que segmentam corretamente seu público-alvo e concentram-se no valor para seus clientes têm melhor condições de criar mensagens que despertem sua atenção, etapa que antecede a própria geração de interesse pela empresa, suas marcas, produtos e serviços.

Para isto ocorrer, é preciso comunicar ao público-alvo - os receptores da mensagem - sobre como a empresa ou seus produtos e serviços podem lhe oferecer valor ou utilidade, concentrando-se em seus benefícios, e não apenas em suas características, para, logo a seguir, estimular seu desejo e sua ação de compra e consumo.

Fonte: www.tigerlog.com.br

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Governo cria fundo garantidor de infraestrutura e estatal de seguros

Por Portos e Navios

BRASÍLIA - O governo vai unificar seus fundos garantidores de projetos em uma única estrutura voltada a viabilizar investimentos em infraestrutura.

O chamado Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE) vai integrar os recursos que hoje estão pulverizados nos garantidores da indústria naval, de energia e de parcerias público-privadas (PPPs), e deve nascer com R$ 5 bilhões em caixa.

" Estamos modernizando o sistema público de garantias " , disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. " Está havendo uma expansão dos negócios e há demanda maior por garantias para viabilizar e reduzir custos financeiros. " Segundo Mantega, a concentração de recursos vai criar um fundo mais robusto e com maior capacidade de se alavancar e de contratar resseguros.

Juntamente com medidas de fomento ao comércio exterior, Mantega também anunciou hoje a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). Essa estatal terá como funções administrar o risco dos fundos garantidores nos quais a União participa e conceder seguros não cobertos pelo mercado (caso das operações de longo prazo para exportação). " Ela herdará as garantias dos fundos e terá mais agilidade para operar " , acrescentou Mantega."

A empresa fará consórcios com o setor privado de seguros e o ramo privado terá sinergia com essa empresa " , sublinhou o ministro.

Fonte: Valor Online/Azelma Rodrigues e Paula Cleto, www.intelog.net

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Infraestrutura volta a sofrer

Por O Estado de São Paulo - SP

O alívio provocado pela crise internacional no setor de infraestrutura praticamente já é parte do passado. Em alguns setores, como aeroportos, estradas e energia elétrica, a demanda tem sido tão forte que os indicadores superam os níveis pré-crise, mostra levantamento feito pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Mesmo nas áreas ligadas ao comércio exterior, cuja retomada se mostrou mais lenta, os números estão próximos de romper a barreira de setembro de 2008, como é o caso do transporte ferroviário e portuário, além do gás natural.

Na prática, a recuperação dos indicadores significa a volta dos gargalos da infraestrutura, que atormentam tanto a vida das empresas como do cidadão brasileiro.

"O avanço forte da demanda pelos serviços de infraestrutura vai exigir um esforço maior de investimento no setor, seja do governo ou da iniciativa privada", destaca o presidente da Abdib, Paulo Godoy.

Até então, a associação havia detectado uma necessidade de ampliar em 10% o volume de investimentos no setor (que em 2009 deve ter ficado em R$ 100 bilhões), atingindo R$ 160 bilhões por ano em 2014.

Mas, com o ritmo acelerado do consumo, esse cronograma terá de ser revisto, alerta Godoy. "As ações estão sendo tomadas, mas tudo demora muito. A demanda cresce mais que a oferta."

Aeroportos. Na avaliação dele, a área de mobilidade tem se revelado a mais crítica. Um exemplo é o caos nos aeroportos. Não bastasse a demora para embarcar, desembarcar e retirar as malas, em alguns casos os passageiros não têm onde ficar enquanto aguardam o voo. Pior: têm de passar pelo embarque internacional para ir de São Paulo a Ribeirão Preto (330 km da capital), por exemplo.

No setor de carga, a movimentação do segmento internacional, em especial a importação, já superou o pré-crise, afirma o consultor do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Allemander Pereira.

Segundo ele, em alguns aeroportos, como Manaus e Campinas, os gargalos se traduzem em aumento do tempo de liberação da carga, que dobrou em relação a setembro de 2008. "A vantagem do transporte aéreo é a velocidade, mas esse tempo prejudica a competitividade. Tudo isso por falta de gente para trabalhar na aduana."

No transporte ferroviário, os velhos problemas aos poucos voltam a incomodar as empresas, como a chegada ao Porto de Santos. Há anos a capacidade de recepção das locomotivas e vagões está saturada, o que dificulta o embarque e desembarque das mercadorias, reclamam os operadores. Isso sem contar o maior problema, que está longe de ser resolvido: o compartilhamento dos trilhos com a CPTM, em São Paulo.

Outro setor que precisará de atenção especial é o de energia elétrica, afirma o professor da UFRJ, Nivalde Castro. Embora a geração de energia esteja bem planejada, a área de distribuição, que leva a luz até a casa das pessoas, precisa ser reforçada. "Não estamos falando em investimento. Estamos falando em gastos com a manutenção da rede. São duas coisas muito diferentes", diz ele.

Para Castro, não adianta levar energia para um número maior de pessoas se não houver manutenção adequada da rede de distribuição.